da filosofia à ficção, retratando a realidade
comentar
publicado por santissimatrindade, em 27.05.08 às 05:01link do post | favorito


Treze de Maio, o santuário enche-se para ver passar Maria. A fé na plenitude da sua manifestação, o mistério e a esperança, milhares de crentes num rito único até á expurgação última da angústia de estar vivo.
O que é que faz com que ainda hoje, tantas almas acreditem na aparição metafísica de Maria em Portugal, a Imaculada mãe do Profeta Evangélico, que aparece na história sob o disfarce de messias? Convenhamos, estas pobres e infantis almas, quanto mais as tento respeitar, mais me dão vontade de rir.
Qualquer argumento racional contra este embuste, esbarra imediatamente na teimosia daquilo a que chamam fé. Mas Fátima veio para ficar, está maior, mais bonita e com mais fiéis. Há gente que vem de longe, mais fiel ao mito que a si mesma, para rastejar sua miséria nos corredores da nova catedral.
Até quando esta necessidade de muletas simbólicas para os nossos medos mais originários?
Até quando estes vícios mitológicos para esconder uma razão envergonhada da sua incapacidade?
Caríssimos fiéis, enquanto aguardais a redenção na sala de espera da mentira, alguém se alimenta da vossa triste fé.
Acordem!

o meu ego está:

comentar
publicado por santissimatrindade, em 27.05.08 às 00:48link do post | favorito

 

Teresa não era uma mulher qualquer! Teresa era a divina das meretrizes, sombreando-se por caminhos derretidos como ouro na sua forma mais pura, era mulher e mãe. Era a mulher!

Era mais que corpo, não era vender, era um patrocinio em que o seu ser deixava de ser seu e passava a ser comum. Era uma troca. Banal.

Falemos de trocas.

Até onde é capaz o errante humano caminhar para se sentir satisfeito, sem necessidades? Qual será o grau de satisfação máximo para a alma? Trocar é dar e receber. Trocar é comprar e vender. Trocar é jogar. Trocar é contratar. Trocar por um preço! Qual o valor que merecemos? Até que ponto estamos dispostos a ir?

Trocas era o que não faltava naquela mansão burguesa do séc XVIII. Teresa era mãe de 2 filhos, Jacques e Stephanie. Teresa era viúva de um conhecido duque da nobre invicta. Teresa era responsabilidade em si mesma e há muito que não deixava por menos o dom de ser protectora. Por vezes e para equilibrar o culto dos excessos e da boémia tinha que se ser um pouco astuta. As festas revolucionárias que os condes davam eu seu nome, e com seu dinheiro diga-se, não se pagavam sozinhas... Não era assim tão árdua tarefa...

Teresa foi capaz de corromper seus valores, não se sentiu satisfeita em seus desejos. Ela quis mais, quis melhor e quis mal... Foi o espéctro de toda a sociedade actual, quis emergir em toda a sua potência, quis se juntar á nata real. Não se vendeu! Concessionou...

É notório até onde somos capazes de ir e nada afectará a noção que o nosso valor nunca será suficientemente reconhecido. Não para nós! Não no passado. Não agora! Deixar para trás séculos de tradição aristrocática e cristã, educações ao nível da perfeição, prestigio puro só de ler o Sobrenome não foi fácil. Mas foi feito. Porque era menos penoso Teresa açoitar-se com os nobres do que vender as pratas da familia. Seria uma ínfame. Assim é apenas uma mulher. Do mais feminino que temos encontrado.

Somos capazes de tudo. Somos capazes do mal. Somos capazes do impensável. Sabe bem. É vertigem, é  velocidade. Por muito que tentemos padronizar toda a gente, seremos seres portadores do géne do poder, do estatuto, da competição, da ambição desmedida. Somos capazes de matar e morrer, de roubar e depois desaparecer. Somos nós. E adoramos.

Teresa não era uma mulher qualquer! Teresa era a divina das prostitutas e gostava!
Não gostamos todos?


mais sobre mim
Maio 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
14
15
16
17

18
19
20
23

25
29
30
31


pesquisar no santissima
 
blogs SAPO
subscrever feeds