da filosofia à ficção, retratando a realidade
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publicado por santissimatrindade, em 13.05.08 às 01:20link do post | favorito

 

Malicia e crueldade em estado puro.

O Austríaco Michael Haneke (realizador) sempre teve olho para a sociedade crua e moderna, documentando as suas falhas. O seu cinema é capaz de mostrar ao espectador todo aquele medo que passamos no quotidiano das nossas vidas…
Em 1997 presenteou-nos com a pérola Funny Games, um thriller cheio de drama, terror e agonia caracterizado por toques suaves de subtileza, tornando-se um marco na sua carreira. O medo é sem dúvida uma das componentes da filmografia do realizador (Caché, La Pianist ). Haneke gostou tanto da experiência que 10 anos depois faz o remake do seu próprio filme e traz-nos agora Funny Games – US.
Quem gostou da primeira versão deste thriller vai sem dúvida abraçar a segunda. Além da realização estar a cargo da mesma pessoa, estamos perante um elenco central assombroso (Naomi Watts, Michael Pitt, Tim Roth, Brady Cobert…) tal forma capaz onde as interpretações são elevadas ao estado de graça da perfeição, principalmente a incarnação na dupla de sóciopatas que levam o espectador a entrar num jogo tanto de irónico quanto o de malicioso, deixando-nos uma espécie de prazer mórbido.
Um filme violento e dramático que vai aos confins da alma humana colher malícia e crueldade em estado puro. Os diversos diálogos tornam-se ironicamente alucinantes criando sentimentos de omnisciência pelos sóciopatas presentes no desenrolar do filme, fazendo o espectador agonizar emocionalmente como se fosse a própria vítima, transportando-o para a génese da dicotomia ficção-realidade, nem sempre facilmente diferenciável.
Pode ser que desta vez o continente Americano volte os olhos para o aclamado realizador Michael Haneke.


Filme a não perder!
 


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publicado por santissimatrindade, em 13.05.08 às 01:10link do post | favorito

 

Da matemática ao mistério.


O Fantasporto de este ano teve cinema espanhol em peso que detonou completamente na atribuição de prémios. Um dele foi La Habitacion de Fermat (O enigma de Fermat) que  arrecadou o Méliès D’Argent na Semana dos realizadores e melhor argumento na Secção Oficial Cinema Fantástico.
Argumento e realização a cargo da dupla Luis Piedrahita e Rodrigo Sopeña, vinda do mundo televisivo e que se estreia pela primeira vez no cinema com este fantástico puzzle repleto de matemática.

La Habitacion de Fermat parte de uma premissa nada complexa: ao responder certo a uma carta (enigma), quatro matemáticos são convidados para irem passar o fim-de-semana a tentar resolver ao que o enigmático Fermat, autor da carta, chama “o maior mistério matemático de sempre”. Chegados ao ponto de encontro os matemáticos descobrem que estão encurralados numa sala onde as paredes começam a encolher em função do tempo de resposta que demoram a resolver os enigmas que lhes são enviados por PDA. A cada instante que passa começam a aperceber-se que existem elos de ligação entre eles, mas o que terão em comum?!.
Ainda que nos recorde de Cube e Hipercube, é apenas momentâneo pois a repercussão deste é bem diferente, coincidências, traições e a rotação ou reviravolta final tornam este filme delicioso. O Argumento incorpora a matemática reforçando o ambiente de mistério que ao longo do filme joga com as personagens e com o espectador quer ele goste ou não de matemática.

A dupla decidiu arriscar ao fazer um triller misterioso onde a matemática seria o epicentro, mas a receita soa muito bem, a ponto de estimular o espectador a entregar-se e ceder á matemática, até porque está presente em tudo que nos rodeia. O filme torna-se numa espécie de exercício mental bastante cativante e o mistério acompanha o filme em grande parte tornando-o intrigante. E apesar de no filme notarmos que falta polir algumas arestas, o trabalho da dupla tem que ser reconhecido. e cá eu fico a aguardar o próximo filme.

Recomendo mesmo…
Em estreia  esta semana.
 


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publicado por santissimatrindade, em 13.05.08 às 00:39link do post | favorito

Nas traseiras de um café, dois homens mijam contra sacos do lixo e restos de comida burguesa sob as intermitências de um neon avariado. Lá dentro, um último cliente pede num gesto abandonado a última garrafa que não vai beber.

Para lá das paredes dos condomínios, alguns fechados, a vida vai adormecendo em frente aos ecrãs, depois de deitados os filhos que o cansaço não deixou amar.

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publicado por santissimatrindade, em 13.05.08 às 00:04link do post | favorito



 

Dentro daquela gruta  uma gota  esconde um segredo futuro…
E ali se cessa o desapropriar das suas cavidades, traída pela gravidade contrariada pelo atrito prolonga-se automaticamente libertando neblinas que lhe purificam a forma e explicam a sua existência.
Sinto na minha cavidade torácica picadas aveludadas que suspiram a falta de ar a rodopiar nos meus alvéolos. Até que finalmente decido poupar um pouco… Até musgo eu como ao jantar. Musgo ao jantar! A minha mente transfigura-se e entrega-me um manjar digno do Olimpo e num piscar de olhos esmago um caracol. Devoro-o em apenas três dentadas.
O meu campo de visão começa agora a encurtar-se, como se estivesse num palanque a recitar os pecados e a vergonha da incrédula sociedade em que nos tornamos, e no pico vertical de uma estalactite, aguardo impaciente por uma goteira que tenta enganar a minha sede com restos de humidade e água escapulida de caminhos secretos a que os humanos chamam de lençóis.
Por fim o meu metabolismo começa a não responder ao meu cérebro e vejo e no horizonte um tanque, de onde surge uma mulher com um pé a mancar e olhos vesgos que lacrimejam mel, que se vira e submerge como se fosse parte da água. Um baloiçar da terra manifesta uma ordem e a estalactite vem em direcção a mim trazendo-me a água saciando-me a sede vida e entrega-me a morte como se estivesse programado desde o inicio.


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publicado por santissimatrindade, em 13.05.08 às 00:01link do post | favorito

 

Iniciar o santíssima trindade no dia 13 de Maio é quase um cliché! Seria mesmo se ao acaso da data conseguissemos igualar a ideologia de um conceito. O que não acontece! O visitante terá que ser necessariamente um actor atento, procurando entre os diversos temas que aqui se constroem, a verdadeira mensagem que está presente na estrutura de toda esta criação...

A igreja não é o ponto fulcral da nossa temática... Nada é o ponto fulcral e tudo se torna alvo de escrita! Como poderíamos nós, seres inquietos aqueles em que nos tornámos, dissertar acerca de apenas um tema? Se bem que o nome do blog é o mote para a principal discussão que se realizará aqui... Quem somos nós?

Santíssima Trindade enquanto obra dos homens mascarada em vontade de Deus! Para o conforto daqueles que tudo dão ao seu senhor sem nada receberem em troca a não ser a fé que nos move até ao dia de amanhã! Pois bem, é mais ou menos isso que nos move aqui... Uma espécie de loucura infundada aliada á mais pura inquietação da alma com uma exacerbada molécula de pensar... É esta a nossa trindade...

É uma posição critica quando tiver que o ser, será cultural muito menos vezes do que gostaríamos que fosse, será algo de psicológico, algo de sociológico, algo de histórico, algo de cientifico, algo de mundano... Terá filosofia, epistemologia e toda aquela ia do dia-a-dia. É aquela pedra no asfalto pisada vezes sem conta pela borracha dos pneus dos topos de gama até que um dia se revolta, sacrifica-se a ela própria, abrindo o maior dos buracos chamando a atenção sobre si mesma...
Assim somos nós! Uma trindade que partilha nos dias de hoje uma comum vivência, tão efémera quanto o constatar dessa mesma efemeridade. Oriundos de três mundos diferentes, com três formas de sentir, pensar, despertar completamente distintos...

A loucura é o anarkik, alma inconformada, fechada, de uma incongruência saudável entre a vida e o viver... Com o tradicional rumo dos loucos e a genialidade dos poetas.. A beleza assume-a como sendo a mais relativa forma de existir, divagando entre um léxico incomum e a ideia profana de criação... É por ventura o mais directo sem nunca ser o mais perceptível...
A inquietação é formada pelo espeto! O estranho compromisso da incorporada felicidade, a procura incansável pela perfeição ética e pelo descortinar das mentes estranhas... É uma dicotomia em si mesmo, sendo a mais simples das almas, sendo a mais complexa das existências. È absorvido por tudo e mais alguma coisa sendo por ventura o mais mundano...
O pensar deriva necessariamente do barbosa! É o mais desconfortável na sua própria metáfora de existir. Sofre de uma espécie de dor que o consome a cada dia conferindo-lhe um pensar sensato... Sensato na sua concepção mas máscara de um profundo turbilhão ideológico, de uma trabalhada assimetria entre o quê e o porquê, criada em benefício de uma sacrificada vivência. Tão terreno quanto possível é por ventura o mais rebuscado...

Não se admire se subitamente ler do comunismo á extrema-direita, do paganismo ao budismo, do século X ac ao século actual... A ideia aqui é sentir e á medida que o sentir toma conta das nossas almas, o interesse tomará conta das palavras que lê...

E agora rezemos que hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima!
Bom 13 de Maio e sejam bem-vindos!

Este é apenas o inicio, promessa de Deus! Qual não sabemos...
 

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