da filosofia à ficção, retratando a realidade
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publicado por santissimatrindade, em 05.08.09 às 04:41link do post | favorito

 

Ao inicio da tarde daquele dia longínquo decidi sentar-me no terceiro banco do Jardim das Balofas. Sem saber porquê?, dei comigo a fitar um arrumador de camisa aos quadrados e calças blindadas de sujo, este mendigava uns trocos para corroer na rua do Devasso.
Ao aperceber-se que o observava, olhou-me fixamente e coçou o chumaço de ganga azul que sobressaía na carcela das vestes. Eu dissimulei e fingi estar a ler, aquela imagem deu-me um certo nojo que se foi transfigurando e de repente senti-me orvalhada nas partes íntimas.
Perpetuei naquele banco e por instantes parecia que anos se tinham passado, havia em mim um misto de consolo e vergonha, pois jamais imaginava a ter desejo por uma figura tão asquerosa.
Quando voltei a mim reparei que ele deixara de dar atenção aos carros e a depositá-la toda em mim, encaminhou-se em direcção ao arbusto de urze que estava frente ao meu banco e ali parou. A minha alma estava trémula, limitei-me a observar. Reparo que ele olhou em redor, nesse tempo desaperta as calças, saca uma ferramenta vigorosa dizendo-me:
-Queres brincar com ela?
 Eu não consegui dizer mais nada, senão:
- Onde?
Voltou a guardá-la e disse-me:
- Vamos para o parque de estacionamento, que a esta hora está deserto.
As minhas pernas conduziram-me, pareciam saber bem o que eu queria, toda aquela vergonha começou a desvanecer-se como a cidade no nevoeiro.
Chegamos ao parque e não disse palavra, deixei que abusasse de mim como se eu não o quisesse. Desventrou-me no chão, e possui-me pela traseira entre carros e cheiro a pneus. Parecia ter sido invadida por uma overdose de aprazimento, como uma explosão de droga a dispersar-se no meu corpo tumultuando os meus vasos sanguíneos.
Descarregou toda a seiva sobre mim e compôs-se. De repente viu a minha bolsa, abriu-a e despejou tudo sobre mim, pegando um envelope com todo o meu ordenado. Tudo aquilo deu-me outro orgasmo. Ele abriu o envelope e sorriu.
Então eu disse-lhe:
-Espera eu sou casada e o meu marido vai-me pedir o dinheiro.
Ele voltou a sorrir e respondeu-me andando:
- Podes dizer que gastaste o ordenado em pensos higiénicos.
 Assim procedi, o meu marido achou estranho, mas não quis escavar e foi jogar bilhar.
Continuei a frequentar aquele parque, mas nunca mais avistei o arrumador que procurava.
Quando o meu marido me possui, por vezes sou transportada para aquele parque e até sinto o cheiro dos pneus, atingindo o clímax ao olhar para a caixa de Evax.

Texto e Fotgrafia: Aurelia Maia
 

o meu ego está:

sinio a 11 de Agosto de 2009 às 21:02
Que estoria trajica...
a cenhora pudia ter apanhado a seda...
a doença dos drosgados...
ai, valh-me a virjem santisima...
esta estoria fez-me olhar para dentro do meu sere e percebere
o quam insinefecante sou.
ai.
ai.

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