da filosofia à ficção, retratando a realidade
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publicado por santissimatrindade, em 06.04.09 às 02:43link do post | favorito

Avisto num tasco de quinta uma semi-lady  a esfregar-se num bando de homens, esganados como lobos por um simples naco de carne. Esvaziam garrafas de macieira e amêndoa amarga como diluente para temperar com suco gástrico. No interior do compacto  tasco ouve-se  uma musica horrorosa que decrepitamente se vai manifestando e servindo de banda sonora aos porcos no quintal. Na entrada do Pardieiro (nome do tasco) encontramos uma fila de chaminés humanas, que despejam catarro no chão à medida que enchem e esvaziam  os pulmões, simetricamente do lado oposto da rua encontramos uma Lassy sendenta de cio, que à medida que desce o asfalto vai sendo  perseguida e montada  por um bando de caninos que a disputam como um troféu.


A violência é um dos temas que tem servido como background para grandes obras cinematográficas, e não me estou a referir apenas a filmes de terror, temos por exemplo o escândalo que foi Irreversible (2002) de Gaspar Noé, Bully (2001) de Larry Clark, History of Violence (2005) e Eastern Promises (2007) de David Cronemberg, ou mesmo excêntrico Taxidermia (2006) do Húngaro György Pálfi. Todos eles têm 2 vertentes que os unem, a violência extrema e o drama. Vou escrever sobre 2 filmes do género que recentemente descobri, Martyrs e Cobrador - In God We Trust.


Pascal Laugier o aclamado realizador de Pacte des loups (2001) traz-nos Martyrs, uma co-produção canadiana e francesa, uma espécie de pólvora em formato de filme.
 Martyrs é filme que aborda a violência de uma forma tão exposta, como recatadamente poética. Pascal Laugier pegou num drama abrindo um invólucro para a violência, recheando com emoções fortes e cenas extremamente chocantes (mas necessárias para toda a essência do filme), tortura, sangue, loucura, desespero e mistério, tornando Martyrs num drama com uma alta componente de terror e não num filme de terror ambientado em drama.
A história conta o episódio de duas jovens, uma delas é Lucie que tem uma sede de justiça e com um grau de loucura que solta à vista, a outra (Anna) submissa a esta. Tudo começa com um acerto de contas de Lucie, mas as coisas não são bem aquilo que aparentam.
Um filme que se transfigura a cada instância, revelando-se como uma peça de alto teor filosófico e não apenas mais um filme chocante.
 


Do mexicano Paul Leduc chega-nos uma relíquia do cinema independente, Cobrador-  In God We Trust, uma co-produção do Brasil, México, argentina e E.U.A. Uma mistura de actores brasileiros argentinos, mexicanos e americanos filmados em 5 países, cujo o tema que os une é a violência e o caos.
Cobrador é um grito de desespero pela globalização da violência, afinal o que é a violência e de onde vêm os motivos para levar o homem a comportar-se como um animal, será o instinto e as circunstâncias, ou simplesmente nós gostamos do sentimento que a violência deposita em nós.
Seguindo o realizador Cobrador - in god we trust é um convite à procura das respostas para as seguintes questões:
Globalização da violência, violência da globalização?
Serial killers, social killers?
Quem pôs a dinamite na cabeça do século?
Uma mina no brasil e alguns assasinatos em New York outros em Miami. Como estão ligados entre si?
Um experiencia avassaladora, é como posso descrever este filme que retrata uma humanidade crua e ressentida.

Dois filmeis altamente recomendáveis.

 

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